14 de nov. de 2011

O Palhaço



Um filme que se nota todo o esmero no roteiro, na direção, na fotografia, na direção de arte e na escolha e direção do elenco. Os enquadramentos, as composições, os figurinos, tudo contribui para uma experiência visual fascinante mas também emocionante. A história fala das dificuldades de um artista ao escolher o destino de sua vida (deve seguir ou não sua vida de palhaço) e também das dificuldades inerentes de suas escolhas. Um filme sem o "cinismo cético" do cinema de hoje em dia, que enche os olhos e o coração.

Minha Cotação: * * * * *

13 de nov. de 2011

Homofobia e Homossexualidade



CONTARDO CALLIGARIS

Homofobia e homossexualidade

Experiência mostra que indivíduos homofóbicos sentem excitação diante a de estímulos homossexuais

Desde o fim do ano passado, em São Paulo, assistimos a uma série de ataques brutais contra homossexuais ou homens que seriam homossexuais aos olhos de seus agressores.
No fim de 2010, por decreto da Presidência da República, foi estabelecida a finalidade do Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (parte da Secretaria de Direitos Humanos). 

Mais recentemente, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a união entre pessoas do mesmo sexo como unidade familiar. Não me surpreende que uma explosão de homofobia aconteça logo agora, pois, em geral, o ódio discriminatório aumenta de maneira diretamente proporcional aos avanços da tolerância.

Mix Brasil 2011 - Meu Último Round e Ausente

Denso e instigante, "Ausente" transforma uma relação entre professor e aluno num constante jogo de suspense e tensão sobre o que irá acontecer. A história é envolvente, os atores estão muito bem e o final é arrebatador.

Minha Cotação: * * * *


Crítica: «Ausente» 
por André Gonçalves


http://www.c7nema.net/index.php?option=com_content&view=article&id=6736%3Aqueer-lisboa-2011-ausente-por-andre-goncalves

Mais uma edição do Queer, mais uma pedrada no charco a cargo de Marco Berger, que tinha já incendiado paixões e ódios no ano passado com o espantoso “Plan B”.

“Ausente” felizmente não é menos arrebatador. Da vingança infantil que se transforma em amor, o cineasta explora agora uma obsessão adolescente de um aluno pelo seu professor de educação física (Javier de Pietro e Carlos Echevarría, respectivamente, ambos magníficos), levada a novos limites, também com alguns requintes de malvadez – e culpabilidades humanas – pelo meio e pelo final. Contar mais é crime. Podemos dizer que Berger tem um olho para filmar corpos humanos e as suas imperfeições como poucos actualmente, e também para congeminar retratos de pessoas reais, saídas de uma Argentina sem modelos pré-formatados. Tal como acontecia em “Plan B”, o ritmo é lento, mas sempre insinuante, convidando sempre o espectador a acompanhar o que se vai passar, para depois lhe puxar o tapete, qual mágico a tirar coelhos da cartola. No final, uma coisa é certa: cada espectador sai com um filme diferente na cabeça, tal é a habilidade em desafiar percepções e incluir imensas ambiguidades em actos cruciais das personagens.

O realizador argentino é definitivamente uma das vozes mais interessantes que saíu do “cinema queer” dos últimos anos, uma que escapou efectivamente a rótulos “queer” - e ainda bem. De tal modo que se poderia perfeitamente imaginar um dos seus filmes num qualquer outro Festival, a ser visto por pessoas de qualquer credo, orientação sexual, identidade de género e “status” social. Estando contudo num Festival Queer, onde as expectativas são ligeiramente mais obtusas, o filme contou com uma recepção morna na sua primeira sessão, com muitas expectativas do público a saírem goradas. Para mim, “Ausente” arrisca-se a ser o filme mais memorável do certame deste ano, um filme a que atribuiria - sem hesitar - um prémio do palmarés. A ver vamos como correm os restantes 7 dias.


10 de nov. de 2011

Mix Brasil 2011 - Romeus


Um filme surpreendente, sobre uma menina que deseja mudar de sexo (FTM - Female to Male), mas que tem desejos por homens. Confuso, né? Por que ela quer mudar de sexo, se tem desejo por homens? No caso, a jovem é interpretada por um ator (mas uma escolha muito bem feita, pois o tempo inteiro fiquei na dúvida se era um ator ou uma atriz, ao contrário do novo filme do Almodóvar). O filme tem ótimas interpretações e uma história muito interessante que ajuda a entender que a transexualidade pode não ser simplesmente uma questão de desejo sexual, mas de satisfação com o próprio corpo.

Minha Cotação: * * * *

7 de nov. de 2011

A Pele que Habito


Almodóvar, como sempre, consegue surpreender com uma história absolutamente original (embora seja uma adaptação), cheia de intrigantes jogos psicológicos e de construção de personagem. Tentando colocar humor através de sua excentricidade característica (como em um personagem vestido de tigre, por exemplo) e um suspense mais maduro (talvez mais próximo de Hitchcock), ele parece flutuar entre os dois gêneros, embora sem atingir a excelência em nenhum deles. De qualquer forma, é louvável que ele saia de sua zona de conforto, como bem salienta a crítica do Cineclick abaixo. Mas também, por mais que gostemos dele, não dá para fechar os olhos para o que o filme tiver de pior, conforme a Neusa Barbosa do Cineweb identifica. De qualquer forma, o saldo para mim é como sempre, bastante positivo.

Minha Cotação: * * * *


3 de nov. de 2011

Amizade Colorida


Essa comédia romântica brinca um pouco com os clichês das comédias românticas. Seria interessante se o filme de fato embarcasse nessa brincadeira, mas ele fica apenas na superfície. De qualquer forma, o filme vale pelos diálogos afiados e pelo elenco, protagonizado pela ótima Mila Kunis (Cisne Negro) e por Justin Timberlake. 

Minha Cotação: * * *

O Céu sobre os Ombros

Assistido na 35a. Mostra Internacional de São Paulo, o filme ganhou vários prêmios no festival de Brasília, inclusive melhor filme. O filme funciona muito bem como estudo de personagem, no caso três personagens da vida real interpretando a si mesmos. O trabalho é perfeito, quase como se a câmera não estivesse ali, como se afinal eles não estivessem sendo filmados. No entanto, o filme não é tão bom como história, um pouco arrastado e talvez devesse contar com uma narrativa um pouco mais estruturada. Pesou mais para o documentário e pouquíssimo para a ficção. 

Minha Cotação: * * *

1 de nov. de 2011

Contágio



O filme funciona muito bem como thriller assustador, que mostra a propagação de um vírus letal. É surpreendente que eu não tenha desenvolvido alguns tipo de transtorno obsessivo após a projeção, depois de tantas cenas mostrando pessoas tossindo em lugares públicos ou tocando em corrimões ou objetos contaminados. O filme só não funciona como reflexão a respeito de uma situação como essa, já que não tem nenhuma crítica ao governo, nem às indústrias farmacêuticas, nem à exploração da mídia em casos de tragédias. Os personagens são mal desenvolvidos e ficamos com a impressão de que os atores foram mal aproveitados. Finalmente, a única crítica é para um blogueiro interpretado por Jude Law, que vira o vilão do filme, assim como o papel da internet, vista como um canal de propagação de informações não confiáveis. Como se pudéssemos de fato confiar nos jornais e na televisão.

Minha Cotação: * * *