4 de jan de 2013

O Impossível


Cartaz do filme "O Impossível",
dirigido por J. A. Bayone ("O Orfanato")
Filme sobre o tsunami de 2004 é triste e ao mesmo belo

Inspirado na história de uma família que sobreviveu ao tsunami no Oceano Índico, "O Impossível" tem realização impecável e emociona do início ao fim
por Fábio Pastorello

"O Impossível" (The Impossible, 2012) começa com uma viagem, uma família dentro de um avião, em direção da Tailândia. Ali o filme já introduz pequenos elementos que irão colaborar para a construção dramática do filme, seja no conflito familiar e corriqueiro entre mãe (Naomi Watts, indicada ao SAG e ao Globo de Ouro como melhor atriz por esse filme) e filho rebelde (Tom Holland), ou na página de um livro que está solta. Tudo o que acontece nos primeiros minutos do filme colabora para nos mergulhar no clima cotidiano de uma viagem (com tudo o que pode haver de bom nela), mas que irá terminar de forma trágica. Esse contraponto do comum ao extraordinário é essencial para o impacto que o filme irá provocar.


Dirigido pelo espanhol Juan Antonio Bayona (do ótimo "O Orfanato", 2007, cujo tema também envolvia uma mãe em uma luta pessoal envolvendo o filho), o filme surpreende pela qualidade narrativa e de produção. A forma como o filme recria o tsunami que fez mais de 220 mil vítimas e devastou diversas localidades à margem do Oceano Índico em 2004, é impressionante. Desde o acontecimento em si (a onda gigantesca invadindo e arrastando tudo) até o trabalho de assistência dos sobreviventes, tudo é recriado com riqueza de detalhes e veracidade primorosas.

A sequência logo após o tsunami é de uma
veracidade impressionante
Ao contrário do filme espírita de Clint Eastwood, "Além da Vida" (Hereafter, 2010), a sequência do tsunami não é visivelmente feita através de efeitos especiais. Toda a sequência em que dois integrantes da família tentam sobreviver momentos após o tsunami, é impactante pela forma como diversos detalhes aflitivos vão se somando, e pela veracidade das imagens. O resultado deixa o público em estado de suspense e choque constantes.

[spoiler] O roteiro também apresenta seus elementos, de forma gradativa. Por exemplo, ao invés de construir uma narrativa em paralelo, mostrando o que acontece com os sobreviventes alternadamente, o roteiro faz com que o público compartilhe a dúvida sobre o destino dos outros personagens.


Imagens dos bastidores de "O Impossível"

Toda a emoção e tensão culminarão em seu clímax "impossível". Se o filme tem algum problema, é justamente o seu clímax, que soa inverossímel. Logo no início, a película já ressalta que a história é inspirada em fatos reais, mas o desfecho é tão improvável que me fez questionar até a realidade contada pelos sobreviventes. Mas no contexto do filme funciona bem justamente para que o público chegue ao ápice emocional. Ao final do filme, palavras como "lindo" e "triste" são facilmente proferidas pela platéia. Nada mais justo, a história é realmente linda, mas ao mesmo tempo muito triste.

Cotação do Janela Indiscreta: * * * * 1/2


O filme traz Ewan McGregor e Naomi Watts nos papéis principais, ambos excelentes


3 comentários:

  1. Gostei bastante do filme também, apesar de muito impossível, rs. Ewan Mc Gregor é quase certeza de qualidade.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Assisti um filme com o McGregor também essa semana, o "Salmon Fishing in the Yemen" mas foi regular. Gosto dele, mas não é sempre que ele acerta na escolha dos filmes não.

      Excluir
  2. Um filme de emoções fortes. Você acha que Naomi Watts ganhará o Oscar, caro Fabio? Eu acho que ela merece. Abraço.

    ResponderExcluir