3 de nov. de 2012

Filmes de Outubro


Os últimos filmes assistidos...


 Um filme como "007 - Operação Skyfall" é como todos os outros da série. Você assiste e logo depois esquece. Skyfall talvez tenha alguns ingredientes que permitam que você não se esqueça tão facilmente dele depois da sessão. Primeiro, a sequência inicial, fantástica, com uma perseguição na Turquia; segundo, a melhor participação da M de Judi Dench, ganhando destaque como ponto chave para a história; e principalmente porque possui um vilão interessante, com nuances homossexuais (Javier Bardem) que infelizmente só são abordados em uma cena e depois esquecidos. O diferencial talvez fique para a direção de Sam Mendes ("Beleza Americana"), mas o filme não tem nada de auoral e se encaixa melhor no gênero ação mesmo. Daniel Craig parece cada vez mais perfeito para o papel. Uma boa diversão, especialmente para os fãs da série, já que traz diversas referências aos entendidos. O tema musical desse 007 foi composto e interpretado por Adele.

Minha Cotação: * * *


"Cosmópolis" é um dos filmes mais aborrecidos que eu já vi. Extremamente verborrágico, o filme tem pouco a dizer, e o pouco se resume na história clichê de um homem rico entendiado com sua própria riqueza e falta de limites. O que há de interessante no filme se perde em diálogos intermináveis, com atores em interpretações entediadas e basicamente, tudo num único cenário, o carro do protagonista (Robert Pattinson, da série "Crepúsculo"). David Cronemberg (do recente e ótimo "Um Método Perigoso") já fez muito melhor, e aqui a cena mais marcante parece ser mesmo a do protagonista fazendo um exame de próstata dentro do carro.

Minha Cotação: *







O filme francês"Intocáveis" constrói o relacionamento entre um homem paraplégico e rico (François Cluzet) e um imigrante ex-presidiário e pobre (Omar Sy) que começa a cuidar dele. O grande trunfo do filme é mostrar como essas pessoas tão opostas puderam se relacionar tão bem, numa história inspirada em fatos reais. Obviamente, a história é apenas inspirada na realidade, já que parece muito mais inspirada em outras histórias do cinema, repleta de clichês. De qualquer forma, o filme é emocionante e engraçado, mas nada correspondente à repercussão que o filme tem tido, até com possível indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro.

Minha Cotação: * * * *







"Magic Mike" é um filme sobre alguns jovens que dançam e fazem striptease num clube de mulheres. O filme é um veículo para Channing Tatum (de "G.I. Joe" e "Querido John"), que é bonito e um incrível dançarino, e produz o filme. O elenco ainda conta com Matthew McConaughey ("EdTV"), Joe Manganiello (o Alcide da série "True Blood", subaproveitado) e Alex Pettyfer ("Eu sou o Número 4"). Aliás, elenco nunca é o problema em filmes de Steven Soderbergh (de "Traffic" e "Onze Homens e um Segredo"), mas aqui o diretor parece fora de contexto, tentando dar uma trama pesada e séria para um filme que funcionaria melhor como simples diversão. O roteiro também não ajuda, com associações moralistas dos strippers a drogas ou degradação. Ainda assim, o filme vale pelo que tem de entretenimento.

Minha Cotação: * * *




Assim como outros filmes de Wes Anderson ("Viagem a Darjeeling", "Os Excêntricos Tenenbaums") "Moonrise Kingdom" é um filme que privilegia uma estética diferente e personagens fora do comum. A filmagem que referencia os anos 60, a fotografia super colorida e até mesmo as atitudes dos personagens (bem como a interpretação dos atores, entre eles Bill Murray, Edward Norton e Frances McDormand), traz uma ingenuidade que encanta. Essa ingenuidade se reflete na história, de duas crianças que fogem de casa para viver um romance. A ingenuidade, assim como encanta, em excesso também acaba enjoando, mas a produção vale pela originalidade e justamente por resgatar uma beleza nessa inocência juvenil.

Minha Cotação: * * * 1/2






10 de set. de 2012

Bom Retiro, Satyricon e Morte


As últimas no teatro...


'Bom Retiro 958 metros' é uma peça do grupo Teatro da Vertigem, responsável sempre por espetáculos  em lugares diferentes do normal. Na peça "Apocalipse 1,11", toda a encenação acontecia dentro de um presídio e em "O Livro de Jó" em um hospital. Dessa vez, o grupo explora um shopping e as ruas do Bom Retiro. O painel é muito interessante, mostrando desde o desejo de consumo até a exploração de trabalhadores, passando ainda pela personagem de uma manequim defeituosa procurando emprego. O elenco é sempre eficiente e a direção parece aproveitar bem todo o potencial do elenco e dos lugares em que eles circulam. A peça também impressiona pela logística, já que envolve diversas interações com prédios da região e pelas ruas do bairro. Imperdível.




As peças do grupo "Os Satyros" em geral esbanjam sexualidade, como era o caso por exemplo de "Os 120 Dias de Sodoma". Por conta disso, parece natural que o grupo adapte a obra "Satyricon", que já virou filme de Frederico Fellini (1969), e que também conta com diversas cenas de sexo. A adaptação do grupo é visualmente forte, conta com diversas cenas impactantes e desenvolve uma emocionante história de um triângulo amoroso homossexual. A dramaturgia perde o ritmo e erra a mão em alguns momentos, mas no geral o espetáculo instiga e interessa.


6 de set. de 2012

Mostra celebra filmes da Retomada


"Carlota Joaquina", com Marieta Severo: marco histórico

Os primeiros 20 anos de uma bela história
O novo Espaço Itaú resgata o melhor da produção cinematográfica brasileira
06 de setembro de 2012 

LUIZ CARLOS MERTEN - O Estado de S.Paulo
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,mostra-celebra-filmes-da-retomada,926667,0.htm

Antônio Brasileiro Jobim forneceu a trilha para a reinauguração do Espaço Unibanco, na Rua Augusta, agora rebatizado com a marca do novo patrocinador - virou Espaço Itaú. Como o filme exibido para convidados foi O Tom da Luz, segunda parte do díptico de Nelson Pereira dos Santos dedicado ao compositor - após A Música Segundo Tom Jobim -, o público só teve de sentar-se nas poltronas e relaxar. O próprio Nelson fez a apresentação e Adhemar de Oliveira disse esperar que o Espaço que agora surge esteja nascendo para 'mais 20 anos'.


Embarque nas Narrativas de Viagem


Embarque nas narrativas de viagem
Por Andréia Silva
http://www.saraivaconteudo.com.br/Materias/Post/47201

"As Viagens de Marco Polo",
o pioneiro dos livros de viagem
"Grande é a diferença entre o turista e o viajante", já dizia a escritora Cecília Meirelles. "O primeiro é uma criatura feliz, que parte por este mundo com a sua máquina fotográfica a tiracolo, o guia no bolso, um sucinto vocabulário entre os dentes: seu destino é caminhar pela superfície das coisas”, disse ela. Para o segundo, guardou mais poesia. “O viajante é criatura menos feliz, de movimentos mais vagarosos, todo enredado em afetos, querendo morar em cada coisa, descer à origem de tudo, amar loucamente cada aspecto do caminho (...)”.


4 de set. de 2012

Um Divã, A Arte e o Fim do Mundo



Aqui reunidos alguns filmes vistos recentemente: dois filmes com tramas românticas, mas que ganhariam mais se abordasse os temas interessantes propostos (o fim do mundo e o desenvolvimento de um artista), e uma comédia romântica que conta com elenco inspirado e consegue acertar tanto na trama romântica como nas possibilidades cômicas.


"Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo" é o tipo de filme cujo tema empolga mais do que seu desenvolvimento. Quando vi o trailer, fiquei empolgado com a história de alguns personagens que devem lidar com o fim do mundo iminente. Apesar de contar o sempre ótimo Steve Carell e com a estranha mas talentosa Keira Knightley, o filme da roteirista e diretora estreante Lorene Scafaria não aproveita todas as possibilidades. A história se inicia quando Dogde (Carell) recebe a notícia do fim do mundo e é imediatamente abandonado pela esposa. A notícia começa a provocar diversas mudanças na rotina das pessoas, abordadas de forma cômica, porém comedida. A partir de certo ponto, o filme prefere se focar mais no aspecto romântico, o que enfraquece o inusitado da proposta inicial. É uma pena, teremos que aguardar outro filme que traga uma nova abordagem sobre o tema.

Cotação do Janela Indiscreta: * * *




"A Arte da Conquista" traz o ex-ator mirim Freddie Highmore (de "A Fantástica Fábrica de Chocolates") no papel de George, um adolescente em crise, que não consegue encontrar motivação para seguir sua vida. Até conhecer Sally (Emma Roberts, de "Pânico 4"), uma colega de escola que se envolve com ele. George tem talento como desenhista e pintor, mas não consegue também se focar em seu talento. No decorrer do filme, é como se acompanhássemos o amadurecimento não somente emocional de George, mas também seu amadurecimento artístico. Para manter o filme num registro mais palatável ao grande público, o filme também conduz a trama romântica entre George e Sally, criando inclusive um triângulo amoroso com o orientador artístico de George, Dustin (Michael Angarano, de "Sky High: Super Escola de Heróis"). Enfim, novamente a subtrama amorosa tira foco do que o filme tinha de mais interessante, mas mesmo assim o filme mantém o interesse.

Cotação do Janela Indiscreta: * * *



"Um Divã para Dois" é uma comédia dramática estrelada por Meryl Streep, que por si só já justifica qualquer filme. O diretor desse filme, David Frankel, é responsável também por uma das melhores interpretações da carreira de Meryl, em "O Diabo Veste Prada". Aqui ela interpreta uma dona de casa que procura ressuscitar o seu casamento, que caiu na rotina e na ausência de sexo. Por melhor que Meryl seja, quem rouba a cena mesmo é o marido rabugento dela, interpretado por Tommy Lee Jones. Durante o filme todo ficamos atentos a como ele irá reagir à terapia que os dois participam para tentar salvar o casamento. O filme ainda conta com Steve Carell, no papel do terapeuta. Além do elenco inspirado, o filme tem um roteiro esperto, que sabe aproveitar todas as possibilidades divertidas e emocionais da história, principalmente quando aborda as tentativas do casal de reanimar a vida sexual, até numa cena divertidíssima em que o casal tenta fazer sexo oral numa sala de cinema.

Cotação do Janela Indiscreta: * * * 1/2




2 de set. de 2012

Diferentes Modos de Pensar


Diferentes modos de pensar
O artigo não é recente (embora o tema seja), mas estava vendo TV e vi algo sobre esse livro "The Righteous Mind: Why Good People Are Divided by Politics and Religion" e resolvi pesquisar. A questão é: porque certas diferenças de opinião podem ser tão inconciliáveis? Vide questão do aborto, ou diferenças entre democratas e republicanos. Na verdade, o que o autor defende é que não somos tão racionais como pensamos ser. Na verdade até, defende o autor, muitas vezes temos convicções (criadas sem muito embasamento) e passamos a procurar informações para confirmá-las, ao invés de através de informações construir nossas convicções. Isso também é definido por 6 sentimentos básicos que possuímos ou não.

E Aí... Comeu? e À Beira do Caminho


O tempo passa e acabo esquecendo ou ficando sem tempo de comentar alguns filmes que assisti, então vou comentar esses dois filmes brasileiros nesse mesmo post.


"E Aí... Comeu?" é uma comédia divertida, baseada em peça de teatro de Marcelo Rubens Paiva. O filme tem bons diálogos e algumas cenas divertidas, principalmente aquelas em que o trio principal de atores: Marcos Palmeira, Emílio Orciollo Neto e Bruno Mazzeo, conversam num bar sobre suas vidas amorosas e sexuais. As conversas divertidas e que parecem não levar a lugar nenhum são o melhor ponto do filme. Na tentativa de adaptar a peça de teatro para o cinema, o roteiro procurou criar histórias românticas para os seus personagens, que soam caretas comparadas às conversas de bar. A pior história é com certeza a que envolve uma suposta traição de Dira Paes com o marido Palmeira. De qualquer forma, o filme vale pelas cenas divertidas que apresenta que, ao contrário de algumas comédias brasileiras recentes, não são apelativas. Aliás, falar de sexo sem ser apelativo é realmente algo a se valorizar.

Cotação do Janela Indiscreta: * * *





"À Beira do Caminho" é um filme de Breno Silveira (responsável pelo sucesso "2 Filhos de Francisco") que lembra muito o inesquecível "Central do Brasil", de Walter Salles. No filme de Silveira, um caminhoneiro amargurado (João Miguel, ótimo como sempre) tem que conviver com um menino, que irá transformar sua vida e amolecer seu coração. O filme consegue emocionar em alguns momentos, conta com um ótimo elenco (em que se destaca também Dira Paes) e a trilha sonora é pontuada por músicas de Roberto Carlos (não sei dizer exatamente se aqui isso é um ponto positivo ou negativo, pois as músicas não acrescentam muito aos momentos emotivos do filme). É um filme competente, um road movie com boas locações pelo Brasil (incluindo até minha querida Chapada Diamantina) mas nada imperdível.

Cotação do Janela Indiscreta: * * *




Nós Precisamos mais do que só o Glee


Blaine and Kurt, personagens gays do seriado Glee
We Need More Than Glee

http://www.huffingtonpost.com/Amelia/we-need-more-than-glee_b_1836158.html

Nos últimos anos, mais e mais programas têm incluído personagens gays, o que é uma boa coisa. Nós temos Glee, Modern Family, Smash, Pretty Little Liars, American Horror Story e muitos outros. Mas de todos esses programas de TV, o único que meu filho pode assistir (por causa do aviso parental) é Glee. Quando meu filho de 7 anos de idade me disse que ele é gay, a última coisa que eu pensei foi sobre televisão.