26 de set de 2011

Elvis e Madona


Mais um filme nacional que demorou anos para entrar em cartaz. Vale a pena conferir, a história é  ousada e original e conta com a maior parte do elenco em boas caracterizações. Maitê Proença faz uma participação impagável. Apenas Igor Cotrim no papel de Madona parece não ter estofo suficiente para as cenas mais dramáticas, mas encara bem as partes cômicas. A trilha sonora é cheia de músicas bem divertidas, que conversam bem com o filme trazendo uma leveza e bom humor em diversos momentos. Nada melhor quando o cinema brasileiro consegue fugir dos temas já desgastados e abordar histórias como essa.

Minha Cotação: * * * *




Crítica Cineweb

20/09/2011
http://www.cineweb.com.br/filmes/filme.php?id_filme=3480
por Neusa Barbosa

Exibida e premiada em diversos festivais nacionais e estrangeiros, como Natal, Rio e Tribeca (Nova York),Elvis & Madona, de Marcelo Laffitte, é um exemplo típico das dificuldades dos filmes independentes para entrarem em cartaz no País.
Filmada em 2008, finalizada em 2009 e percorrendo extenso circuito de festivais em 2010, a comédia tornou-se um pequeno cult, mas só agora conseguiu estrear, revelando ao grande público um dos casais mais inusitados da história recente do cinema nacional, o travesti Madona (Igor Cotrim, da novela Mulheres Apaixonadas) e a lésbica Elvis (Simone Spoladore, Não se pode viver sem amor).
Madona é cabeleireira no salão Divas, em Copacabana, e dá duro para juntar dinheiro. Seu sonho é montar um musical estrelado por drag queens. Mas um dia um ex-amante, o bandidão João Tripé (Sérgio Bezerra), aparece em seu apartamento e leva todas as suas economias, depois de agredi-la.
Quem chega pouco depois é Elvis, motoqueiro que sonha em ser fotógrafo e sobrevive como entregador de pizzas, e veio justamente entregar um pedido de Madona. Depois de socorrê-la, Elvis torna-se grande amigo da cabeleireira. Os dois tornam-se inseparáveis e dividem aventuras. Até que numa noite acontece algo mais entre os dois e Elvis engravida.
Se, para escrever seu roteiro (premiado no Festival do Rio 2010), o diretor Marcelo Laffitte partiu de notícias de jornal, ao elaborar sua história deixou de lado a inspiração inicial – que era o caso de dois travestis, pai e filho, que se envolviam com a mesma mulher – em benefício da criação de uma atmosfera cômica e de grande liberdade. E, é bom que se diga, nunca desrespeita a inteligência de ninguém nem esbarra no mau gosto ao arriscar-se na transgressão de estereótipos sexuais.
Um dos grandes achados do diretor foi o casting. Atriz compenetrada e conhecida por papéis sérios, comoLavoura Arcaica (2001), Simone Spoladore nunca exagera na composição da sua Elvis. Carregando sua valente Madona com enérgica simpatia, Igor Cotrim usa a dose certa de glamour e purpurina e não cai no escracho. O resultado é um projeto de família anticonvencional que não faria feio em nenhum filme de Pedro Almodóvar.
Maitê Proença, como a mãe de Elvis, também tem uma cena das mais hilariantes, quando se desenrola a revelação sobre o bebê. É mais uma das surpresas deste pequeno filme.



FICHA TÉCNICA
Diretor: Marcelo Laffitte
Elenco: Simone Spoladore, Igor Cotrim, Sergio Bezerra, Maitê Proença, Buzza Ferraz, José Wilker, Wendell Bendelack, Joana Seibel, Aramis Trindade, Pia Manfroni
Produção: Tuinho Schwartz, Marcelo Laffitte
Roteiro: Marcelo Laffitte
Fotografia: Ulrich Burtin
Trilha Sonora: Victor Biglione
Duração: 105 min.
Ano: 2009
País: Brasil
Gênero: Comédia
Cor: Colorido
Distribuidora: Pipa Filmes
Estúdio: Laffilmes
Classificação: 14 anos

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