15 de out de 2011

Hedwig


Os atores estão bem e as músicas são empolgantes, mas infelizmente o som da banda fica muito alto e por vezes não dá para escutar o que os cantores estão falando. Fora isso, também achei estranha a personagem interpretada por um atriz vestida de homem e que no final vira mulher, achei mal resolvida.


Bom elenco garante brilho de espetáculo sobre transexual
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/acontece/ac1509201103.htm

ALCINO LEITE NETO
EDITOR DA PUBLIFOLHA

Se Tennessee Williams (1911-1983) fosse nosso contemporâneo, decerto não fecharia os olhos ao potencial dramático contido na vida de um transexual.

Na falta do grande dramaturgo de "Um Bonde Chamado Desejo", outros bons autores de melodramas cuidaram da tarefa, como o cineasta Pedro Almodóvar (em "A Lei do Desejo").
E também John Cameron Mitchel, 48, ator e diretor americano, autor de "Hedwig and the Angry Inch", musical-rock que estreou nos EUA em 1998, virou filme em 2001 e se transformou num espetáculo cult.
"Hedwig e o Centímetro Enfurecido", como se chama a versão brasileira, é a história de um roqueiro de Berlim Oriental que decide trocar de sexo, um pouco para escapar de si próprio, um pouco para se livrar do comunismo.


Não precisava ter chegado a tanto. Um ano após a operação, que só lhe deixou um centímetro do pênis, cai o Muro de Berlim. Nos Estados Unidos, marginalizado, o personagem tenta encontrar seu lugar no mundo.




HUMOR 'QUEER'
A história tem algo de trágico, mas, como os tempos atuais são particularmente cínicos, "Hedwig" é uma tragicomédia, que recorre a tudo aquilo que o humor "queer" pode oferecer de melhor.
Na montagem brasileira, os atores Pierre Baitelli e Felipe Carvalhido dividem o monólogo e encarnam duas versões do mesmo protagonista.
Ambos atuam com igual brilho e carisma, justapondo muito bem o que há de patético e o que há de heroico em Hedwig.

TOM HISTÉRICO
A direção de Evandro Mesquita é feita de soluções simples e eficazes para o palco apertado do teatro Nair Bello.
O tom histérico que ele imprimiu à encenação por vezes apaga algumas sutilezas da peça, mas isso não chega a impedir que o espectador se comova com esse musical hardcore-punk-kitsch sobre a luta de um homem consigo mesmo e com a história.
Em tempo: no "Banquete", de Platão, o mito dos andróginos é narrado por Aristófanes, e não por Aristóteles, como diz o programa da peça. 




HEDWIG E O CENTÍMETRO ENFURECIDO
QUANDO sex., às 21h30; sáb., às 21h; dom., às 18h; até 16/10
ONDE teatro Nair Bello (r. Frei Caneca, 569; tel. 3472-2414)
QUANTO R$ 60
CLASSIFICAÇÃO 16 anos
AVALIAÇÃO bom

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